
Cerca de 470 famílias de Belo Horizonte foram atendidas no “Mutirão Direito a Ter Pai”, promovido pela Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG) nos dias 25 e 26 de setembro. A iniciativa, realizada com o apoio do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG (Nupad), teve como principal objetivo possibilitar que crianças, em sua maioria, tenham a paternidade reconhecida e restabeleçam, assim, o vínculo com o pai.
É o caso vivenciado por Thiago Paulino, que compareceu à Defensoria na presença da filha Gabriele, de três anos, para fazer o reconhecimento voluntário da paternidade. A mãe de criança, Catilene Gomes, fez o cadastro logo que soube da realização do Mutirão: “É uma oportunidade muito importante, queria reconhecer o nome do pai da minha filha”. Para Thiago, a iniciativa também agradou. “É importante para a criança no futuro, para ela ter os direitos dela”, observou.
Viviane Gomes, de 16 anos, também esteve no Mutirão para realizar o exame de DNA juntamente com o suposto pai de seu filho, de apenas sete meses. Para a mãe de Viviane, Natália de Oliveira, o possível reconhecimento da paternidade de seu neto é a realização de um sonho. “Não sabemos o dia de amanhã, agora meu neto poderá ter um nome. Também não tive o reconhecimento do meu pai e sei que é muito ruim”, revelou.
Outras ações
Além do reconhecimento voluntário de paternidade e dos exames de DNA realizados na presença do pai, o Mutirão contemplou os exames feitos em parentes do suposto pai falecido ou ausente. Ainda, as famílias puderam realizar acordos relacionados a alimentos, guarda e visitas, além de receberem orientação para propositura de ações de investigação de paternidade.
Segundo a defensora pública, Hellen Caires, trinta comarcas do interior do estado também participaram da iniciativa nesta terceira edição do “Mutirão Direito a Ter Pai”. “Estão previstos 1.550 exames só do interior”, explica.
Outro diferencial em relação ao Mutirão deste ano, de acordo com Hellen, foi o aumento no número de pessoas adultas atendidas, incluindo aqueles cujos supostos pais já são falecidos: “Isso indica que ter o reconhecimento de um pai no assento de nascimento é um desejo que permanece na vida adulta e interfere na vida social do indivíduo”.
Nupad

Pelo segundo ano seguido, o Laboratório de Genética e Biologia Molecular do Nupad (LGBM) foi o responsável pela realização dos exames de DNA do Mutirão. “Participar novamente desta ação representa confiabilidade em nosso trabalho e demonstra que a experiência do ano passado deu certo”, observa a coordenadora do laboratório, Dora Méndez.
Coube à equipe do LGBM levantar as informações pessoais dos cadastrados para os exames e colher, em papel filtro, o sangue necessário para amostragem do material genético.
A previsão é que, depois das análises, os resultados sejam liberados pelo laboratório no prazo de 30 dias para os casos envolvendo a presença do suposto pai e em 60 dias nos casos de suposto pai ausente. As análises incluem as amostras vindas do interior.


