O autocuidado do adolescente com doença falciforme

Elemento fundamental para garantir qualidade de vida ao ser humano, o autocuidado consiste em ações feitas pelo próprio indivíduo para manutenção da saúde e bem-estar, como cuidados cotidianos de higiene, alimentação e medicação.

No caso da pessoa com doença falciforme, conhecer a enfermidade e realizar o autocuidado tornam-se ainda mais importantes.
Alteração genética que afeta as hemácias e provoca diversas complicações, como a obstrução dos vasos sanguíneos, infecções e crises de dor, a doença falciforme exige cuidados durante toda a vida, com atenção específica na fase da adolescência.

“Créditos: Shutterstock”
“Créditos: Shutterstock”

“O jovem passa por várias transformações nessa etapa da vida e não pode deixar de manter os cuidados com a sua saúde”, explica Aline Batista, enfermeira do Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG), parceria do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad) da Faculdade de Medicina da UFMG e Fundação Hemominas. A profissional alerta quanto ao fato das mudanças normais da adolescência coexistirem com as alterações próprias da doença. É também o momento no qual o autocuidado, até então de responsabilidade dos pais, passa a ser tarefa do próprio indivíduo. “É um período divisor de águas, porque não se é criança e nem adulto e há uma busca pela identidade”, comenta Aline.

Orientações

O jovem com doença falciforme deve priorizar atividades físicas moderadas, uma vez que exercícios que exijam muito esforço físico podem desencadear crises de dor. “A ingestão de água deve ser constante”, ressalta a enfermeira.

O autocuidado precisa ser considerado algo rotineiro. Como recomenda Aline, cuidados com o corpo e a higiene bucal, por exemplo, são essenciais para evitar infecções, comuns na doença falciforme, e garantir a integridade da pele e mucosas.

“Se o adolescente tiver dúvidas, deve procurar os profissionais de saúde de sua confiança para esclarecimento de outras questões, como o crescimento e desenvolvimento que podem ser mais lentos durante a puberdade; gravidez e eventuais riscos relacionados à doença; métodos contraceptivos e planejamento familiar”, destaca Aline.

O papel do enfermeiro

Com a proposta de orientar o enfermeiro para o autocuidado do adolescente com doença falciforme, o Cehmob-MG desenvolveu o trabalho “Papel do Enfermeiro no ensino ao Autocuidado de Adolescentes com Doença Falciforme”, realizado por Aline Batista e as estudantes de enfermagem e estagiárias do Cehmob-MG, Daniela Ricardo e Tamiris Garcia.

Até o momento, o estudo foi apresentado em dois eventos de saúde realizados nos últimos meses: o Seminário Nacional de Diretrizes da Enfermagem na Atenção Básica, em Campo Grande/MS, no dia 28 de abril, e a 24ª Semana de Enfermagem, em Belo Horizonte/MG, no dia 14 de maio.

O trabalho buscou correlacionar a Teoria de Enfermagem do Déficit do Autocuidado da enfermeira norte americana Dorothea Orem e o Manual de Autocuidado do Ministério da Saúde sobre a Doença Falciforme, além de avaliar possíveis orientações de enfermagem fornecidas pelo profissional para o autocuidado do jovem com a doença. “O profissional de saúde não muda a prática cotidiana de ninguém, mas sugere as melhores medidas”, afirma Aline.

Para Daniela, o enfermeiro assume um importante papel como orientador das ações de autocuidado. E torna-se uma referência para que o paciente adira ao tratamento: “O jovem com doença falciforme pode ser mais retraído devido ao contexto vivido, por isso o diálogo é tão importante. É preciso saber ouvir”.

“Nossa expectativa é de desenvolver ainda mais esse estudo, com o objetivo de subsidiar a atuação do enfermeiro”, observa Tamiris.