A doença falciforme em Minas Gerais tem incidência de 1:1.400 em recém-nascidos e constitui problema de saúde pública. O atendimento no nível primário de saúde é primordial e pouco avaliado em todo o mundo. “Programas de capacitação para profissionais da atenção primária são essenciais para que haja qualidade no cuidado integral aos pacientes”, alerta a autora da tese defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdade de Medicina da UFMG, Ludmila Mourão Xavier Gomes. Segundo Ludmila, o objetivo da pesquisa foi avaliar a efetividade de uma intervenção educacional para agentes comunitários de saúde e técnicos de enfermagem sobre o cuidado e acompanhamento da pessoa com doença falciforme na atenção primária. Para ela, a intervenção se mostrou importante porque há uma lacuna na literatura sobre a capacitação de profissionais da atenção primária acerca do cuidado e acompanhamento da pessoa com doença falciforme. “Na literatura nacional não há estudos que abordem treinamento e capacitação em doença falciforme para profissionais de qualquer nível de atenção à saúde. Nas publicações internacionais, há experiências incipientes de intervenções educacionais, sendo que apenas duas foram direcionadas aos profissionais da atenção primária, mas o enfoque foi para a triagem neonatal.”
A intervenção e capacitação ocorreu nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da Estratégia de Saúde da Família em três municípios do norte de Minas Gerais, Montes Claros, Janaúba e Pirapora, que possuíam pessoas com doença falciforme na área de abrangência. Participaram ao todo 188 profissionais da atenção primária. “Foram utilizadas metodologias ativas por meio de oficinas com carga horária de 40 horas. A avaliação da intervenção foi realizada por meio de pré e pós-testes de conhecimento que abordavam questões epidemiológicas, clínicas e de manejo da pessoa com doença falciforme”, afirma Ludmila.
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Fonte: Cehmob-MG.


