Na brinquedoteca do Centro de Educação e Apoio Social (Ceaps) do Nupad, o lúdico e o educativo caminham de mãos dadas. Durante o primeiro semestre deste ano o espaço, criado em 2007, tem recebido cada vez mais atenção da equipe multidisciplinar e dos usuários, especialmente pela impulsão do projeto Tesouros Literários, que busca estimular a promoção da leitura e discussões acerca de temas diversos.
O projeto foi idealizado pela estudante bolsista do Ceaps, Raíssa Azevedo, estudante de Pedagogia, sob coordenação das pedagogas Laila Dias e Bruna Moreira. De acordo com Raíssa, o projeto tem este nome pois cada instrumento e cada sujeito inserido nele é considerado um “tesouro”. “Cada paciente, cada responsável, cada profissional é um tesouro a ser lapidado, e vejo através da literatura uma possibilidade de lapidação”, opina. Raíssa, há pouco mais de um ano atuando como bolsista do Ceaps, observando as crianças e familiares na brinquedoteca, percebeu que faltava, nos usuários, contato com a literatura. “Foi quando surgiu a proposta de um baú literário. A intenção seria ir além, não só focar o tratamento das crianças, mas também formar um gosto pela leitura. “É enxergar a criança doente como sujeito de direitos, que deve produzir cutura. Ela é mais do que só a doença”, lembra.
Hoje, o baú literário conta com cerca de 80 títulos infantis, infanto-juvenis e diversos, todos analisados pela equipe previamente, de modo que não reproduzam estereótipos, preconceitos ou doutrinas presentes na sociedade.
Ainda como forma de complementação pedagógica ao projeto, a brinquedoteca do Ceaps ganhou, além dos livros, jogos de tabuleiro e raciocínio, tapete educativo, brinquedos que representam a realidade e diversidade da sociedade. “A proposta vai além da alfabetização. Buscamos também o letramento artístico, o matemático, as interpretações verbais e não-verbais”, esclarece Raíssa.

Aprendizado e educação não formal
Para Raíssa, o projeto tem ainda a “perspectiva de trabalho em conjunto, onde não somente o paciente e o acompanhante aprendem com os profissionais, mas os profissionais aprendem com os pacientes, sobre o seu mundo, suas perspectivas e suas incertezas”.
O acesso à literatura de qualidade, as atividades supervisionadas e o estímulo à construção de um senso crítico estão entre os objetivos buscados pela equipe. A estudante reforça que a pedagogia não é só uma prática docente. “Aqui, no Ceaps, não visamos à formação escolar, e sim à formação crítica sobre o mundo, a busca de uma sensibilidade. O próprio conceito de centro de educação que o Ceaps abrange é maior que o de um simples assistencialismo”, conta.
Bruna Moreira, que acompanha a implantação e desenvolvimento do projeto no Ceaps, reforça também que é fundamental instruir as pessoas sobre a pedagogia e desconstruir a visão que a criança está, naquele espaço, apenas brincando. De acordo com ela, todas as atividades desenvolvidas seguem uma prática pedagógica, com real aplicabilidade na vida cotidiana . “Não é o lúdico pelo lúdico”, afirma a pedagoga.
“Aprender é saber. É ter uma argumentação própria para poder discutir pontos de vista. É ler e compreender o que foi lido para extrair o conhecimento necessário para a vida, a fim de que haja um maior fortalecimento dos seus próprio ideias de vida”, explica Raíssa.
Ceaps
O Ceaps tem como finalidade desenvolver ações educativas e atendimento de suporte para pacientes e familiares da triagem neonatal, além de oferecer um espaço de acolhimento. A equipe do Ceaps é multidisciplinar composta por psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, enfermeiros, nutricionistas e estudantes de diversas áreas. A brinquedoteca tem atividades supervisionadas de 2ª a 5ª feira, das 8h às 11h30.


