Qual a importância de se impor limites aos filhos? É possível equilibrar disciplina e amor? Qual o papel do pai e da mãe nessa tarefa? Essas foram algumas questões discutidas em roda de conversa realizada pelo Centro de Educação e Apoio Social (Ceaps) do Nupad, no dia 20 de maio. Com o tema “Amor x limites, um paradoxo resolvido com equilíbrio”, pedagoga e estudantes de psicologia conduziram a atividade junto a mães de crianças em acompanhamento para a fenilcetonúria.
Para exemplificar a importância de se colocar limites na vida dos filhos, foi pedido que algumas mães enchessem um balão de ar, esticassem uma gominha de elástico e completassem um copo com água. “Sabemos que se encher ou esticar demais, o balão estoura, a gominha arrebenta e pode até machucar. Para tudo há um limite”, observou a estagiária de psicologia, Josiane Cecília. A dinâmica foi o ponto de partida para a troca de experiências.
“Sou rigorosa, mostro ao meu filho o que pode e o que não pode”, declarou Angélica Ferreira, mãe de Leonardo, de um ano e meio. Para Angélica, não é possível a criança conviver sem saber os limites. No caso de Leonardo, que possui fenilcetonúria, seguir corretamente a dieta alimentar é condição essencial para garantir qualidade de vida. “Como as coisas na frente dele e mostro o que ele não pode, da mesma forma levo sempre algo que ele pode comer. Neste sentido, toda a família colabora, acompanha o tratamento”, explicou a mãe.
Segundo Josiane, é preciso ter cuidado com a superproteção e entender que amor e limites não são conflitantes: “Colocar limites é um ato de amor, no caso da doença crônica, é algo ainda mais importante”. Apesar das dificuldades de alguns pais neste sentido, é preciso mostrar que “sim é sim, não é não”.
Importante também haver consenso entre pai e mãe na educação dos filhos, destacou o grupo. “Antes eu tinha problemas, pois o pai autorizava o que eu proibia, passava a mão na cabeça. Mas hoje agimos em acordo”, contou Anastácia Santos, mãe do pequeno João Gabriel, de um mês e meio, e de outros dois filhos, de 13 e seis anos. Para a pedagoga Michele Reis desautorizar o outro na presença do filho deve ser uma atitude evitada: “Aos três, quatro anos, a criança já tem a maldade de perceber essas coisas, não se deve considerar isso apenas na adolescência”.
Ainda, conforme lembrou Michele, a educação é um processo gradual: “Como consideravam os filósofos antigos, a criança é como uma folha em branco, e neste sentido são os pais que fazem o registro ao longo do tempo, formando o caráter”. Nesse processo, a amizade entre pais e filhos deve ser preservada. “A criança tem os pais como espelho e é preciso aproveitar essa condição”, declarou Jonatan Junio, também estagiário de psicologia.
“Hoje sei educar meus filhos. Ensino em primeiro lugar o respeito pelas pessoas e prefiro que eles aprendam em casa, para não aprender na rua”, pontuou Anastácia. “Não é pelo João Gabriel ter fenilcetonúria que ele não será educado da mesma forma”, observou a mãe.

Ceaps
O Ceaps tem como finalidade desenvolver ações educativas e atendimento de suporte para pacientes e familiares da triagem neonatal, além de oferecer um espaço de acolhimento. A equipe do Ceaps é multidisciplinar composta por psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, enfermeiros, nutricionistas e estudantes de diversas áreas.


