
Alteração genética que afeta o sangue, a doença falciforme, diagnosticada pela triagem neonatal, é a doença hereditária mais comum no Brasil e atinge um a cada 1.400 nascidos vivos em Minas Gerais. Originada na África e espalhada pelo mundo a partir da migração forçada de escravos, ela alcança principalmente a população negra, mais atingida pelo racismo institucional. Esse aspecto, associado à evolução muitas vezes grave da doença, tende a dificultar o acesso da pessoa com doença falciforme à educação, trabalho, moradia e serviços de saúde, o que a torna vulnerável não apenas do ponto de vista clínico, mas também social.
Dados da Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia do Estado de Minas Gerais (Dreminas) mostram que, no estado, 95% das pessoas com doença falciforme são negras, 98% são beneficiárias do Bolsa Família do Governo Federal e 93% não concluíram o Ensino Fundamental. “As famílias e pessoas com doença falciforme, em sua maioria, são de baixa renda e/ou não tem tanto acesso ao ambiente escolar e ao mercado de trabalho, devido às peculiaridades da doença que exigem diversas internações, consultas e exames frequentes”, ressalta a assistente social da Dreminas, Paula Maia.
Neste cenário, o assistente social assume importância fundamental na atenção à pessoa com doença falciforme. Profissional responsável por acompanhar a dinâmica social do indivíduo e orientá-lo para garantir os direitos ligados à saúde, habitação, educação e emprego, entre outros, o assistente social deve trabalhar pela autonomia do sujeito. “Fazemos a leitura crítica da realidade da pessoa. Queremos o empoderamento, a emancipação do sujeito social”, diz a assistente social do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG (Nupad), Graziela Maria.
Encontro Mineiro de Assistentes Sociais
Diante desta realidade e com a proposta de fortalecer a rede de atenção à pessoa com doença falciforme a partir da atuação do assistente social de diferentes setores, o Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG), parceria entre Nupad e Fundação Hemominas, promove o 1º Encontro Mineiro de Assistentes Sociais – Doença Falciforme: Linha de Cuidados, nos dias 19 e 20 de junho, no Hotel Dayrell, em Belo Horizonte. São esperados cerca de 500 participantes, entre assistentes sociais dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Previdência Social e da Atenção Primária à Saúde do estado.
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Fonte: Cehmob-MG.


