Racismo institucional traz obstáculos à pessoa com doença falciforme

Na semana em que são celebrados o Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doença Falciforme e de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, 27 de outubro, o programa Saúde com Ciência, produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG, apresenta a série “Doença Falciforme”, entre os dias 26 e 30 de outubro. Uma das doenças genéticas e hereditárias mais comuns no Brasil, a doença falciforme afeta o formato das hemácias ou glóbulos vermelhos que carregam a hemoglobina – pigmento responsável por transportar o oxigênio dos pulmões para o corpo. A hemácia vai apresentar o aspecto de uma foice, daí o nome falciforme, o que dificulta a passagem do sangue pelos vasos e a oxigenação dos tecidos. Estudos sugerem que a alteração genética surgiu em regiões da África, Arábia e Índia, como forma de proteger essas populações da malária, infecção que dizimava milhares de pessoas.

É o que afirma o professor emérito da UFMG e pesquisador do Nupad, Marcos Borato: “Na época da escravidão, essas pessoas eram trazidas para o Brasil. Então, pela miscigenação de negros com negros, negros com brancos e negros com indígenas, o gene foi se disseminando. Atualmente, a doença está presente em todo o Brasil, mas se localiza fundamentalmente nos estados onde a escravidão foi de maior proporção”. Entre esses estados estão Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Racismo

A doença falciforme é predominante na população negra – estima-se que 95% dos pacientes em Minas Gerais sejam negros. O fato de essas pessoas terem vindo para o Brasil como escravos, condição extinta apenas em 1888, contribui para sua marginalização. “A conjunção de pessoas que têm pouco poder econômico e, portanto, pouco poder político, junto com o preconceito de cor, traz problemas às pessoas com doença falciforme”, comenta Marcos Borato.

De acordo com a presidente da Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia do Estado de Minas Gerais (Dreminas), Maria Zenó Soares, a falta de conscientização do problema está ligada ao racismo institucional: “Sofrem racismo por ser pobre, por ser negro, por ter a doença. A discriminação de profissionais da saúde de não acreditar no nosso relato no momento de dor, principalmente nos serviços de urgência e emergência, considerando a gente como pessoas viciadas em morfina… A invisibilidade da doença falciforme se dá devido ao racismo das instituições de saúde”.

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