Assistente social se despede de trabalho na Dreminas

Zenó, Eliana e Rosalina, durante homenagem. Crédito: Bruna Carvalho
Zenó, Eliana e Rosalina, durante homenagem. Crédito: Bruna Carvalho

Para a assistente social, Eliana Santos, o ano de 2014 iniciou-se com grande mudança. Depois de atuar por mais de dois anos na Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Dreminas), ela se despede para trabalhar no serviço público.

Aprovada em concurso para o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Sabará, Eliana continuará fazendo o que gosta: “É a realização de um sonho poder continuar atuando na área, mas não dou adeus à Dreminas, apenas um até logo”.

Para prestar homenagem a Lili, como Eliana é carinhosamente chamada, amigos, associados e colegas de trabalho se reuniram na tarde do dia 3 de janeiro, na sede da Dreminas. Na despedida, um vídeo repleto de fotos representou os inúmeros momentos vividos pela profissional na Associação. “Aprendi muito aqui como pessoa, fiz amigos que sei que posso contar”, declarou após as homenagens. “Na Dreminas lidei com situações de miséria e fome enfrentadas pelas pessoas com doença falciforme e, por todas as dificuldades enfrentadas, cresci muito”, revelou emocionada.

Para a presidente da Associação, Maria Zenó Soares, o momento resume alegria e tristeza. “Hoje é um dia difícil para nós, pois é a despedida de nossa companheira, nossa amada assistente social”, declarou Zenó. “Estamos tristes por sua saída, mas sabemos que ela está realizando um grande sonho”, afirmou.

Antes de iniciar o trabalho na Dreminas, Eliana foi estagiária no Cehmob-MG por dois anos, de 2006 a 2008. Por todo esse tempo, foram muitos casos marcantes. Para ela, histórias de luta junto a pacientes e também na esfera política, sempre na busca de melhores condições de atendimento à pessoa com doença falciforme: “A nossa luta é para que nós, pessoas com doença falciforme, sejamos respeitados, e levarei isso para sempre comigo”. Para Zenó, momentos que ficarão para toda vida: “Terei saudades das conversas e risadas, de tudo o que vivemos e passamos. Dividimos não apenas uma sala, mas sorrisos, lágrimas e expectativas”.

Mas Lili garante que, caso tenha permissão, não pretende se distanciar de toda essa história. “Se nossa presidenta (Maria Zenó) permitir, não vou me desvincular deste lugar”, brincou. Nas palavras de Rosalina de Jesus, uma das mais antigas pacientes vinculadas à Dreminas, realmente não haverá distância: “Você vai, Lili, mas um pedaço ficará em meu coração”.

Dreminas

A Dreminas, uma das parceiras do Cehmob-MG, foi fundada em 1991 por pais e pessoas com doença falciforme. É uma instituição sem fins lucrativos, constituída por amigos, familiares e pessoas com doença falciforme e tem como meta a organização social das pessoas com doença falciforme, buscando o desenvolvimento das potencialidades individuais e coletivas.