Fórum discute racismo e propõe mudanças

“O que preside a humanidade é a comunhão. Nós só seremos uma sociedade completa quando a diversidade for aceita e integrada, sem isso ela não evoluirá”. As palavras, referentes à filosofia ubuntu, foram citadas pelo coordenador acadêmico do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG (Nupad), Marcos Borato, durante a abertura do evento Racismo Institucional: Fórum de Debates – Educação e Saúde, realizado em Belo Horizonte, no dia 30 de maio.

A mensagem refletiu o objetivo do encontro: sensibilizar os participantes, por meio de palestras e oficinas, para o racismo institucional, manifestado em normas e práticas discriminatórias no cotidiano de trabalho, e capacitá-los para o atendimento humanizado a toda a sociedade. Estiveram em foco temas referentes ao racismo nos serviços de saúde e na atenção à pessoa com doença falciforme.

Promovida pelo Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG), uma parceria entre Nupad e Fundação Hemominas, a atividade reuniu cerca de 100 convidados, entre profissionais que desenvolvem projetos no Centro e representantes da sociedade civil.

Mesa de abertura do evento
Mesa de abertura do evento formada por: Rosângela da Silva (Secretaria Municipal de Direito e Cidadania), Clever Alves (Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social), Mitiko Murao (Fundação Hemominas), Daniela das Mercês (Ministério da Saúde), Marcos Borato (Nupad), Maria Cândida Queiroz (Ministério da Saúde), Ronaldo Antônio (Conselho Estadual de Igualdade Racial), Fabiano Pimenta (Secretário de Saúde de Belo Horizonte) e Maria Zenó Soares (Dreminas/Fenafal). (Crédito: Bruna Carvalho)

Desafio e expectativas

“Temos um grande desafio: o combate ao racismo, e é para todos, brancos e negros”, declarou a consultora da Política de Saúde Integral da População Negra do Ministério da Saúde, Daniela das Mercês, na mesa de abertura. Para a também representante do Ministério da Saúde, Maria Cândida Queiroz, a discussão proposta pelo evento é um primeiro passo: “Esse é um primeiro momento, mostra que se reconhece que o debate é necessário”.

Para a representante da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Social, Rosângela da Silva, o debate sobre o racismo, integrado à educação e saúde, é fundamental para construção e elaboração de políticas públicas mais assertivas, a partir da formação de redes. “As políticas devem ser construídas como está sendo feito aqui, com discussão em amplitude envolvendo poder público, sociedade civil e setores acadêmicos”, disse.

Para o secretário de Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte, Fabiano Pimenta, é necessário um trabalho integrado para evoluir. “Sob a ótica da Secretaria e do SUS (Sistema Único de Saúde), nada mais importante que esse tema tendo em mente a equidade”, declarou. “Há avanços, mas ainda muito a percorrer, precisamos trabalhar o acesso, a prevenção e o tratamento adequado a toda a população”, concluiu o secretário.

“Não tem como falar da doença falciforme sem enfrentar e combater o racismo”, disse Maria Zenó, presidente da Associação de Pessoas com Doença falciforme e Talassemia do Estado de Minas Gerais (Dreminas) e da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme (Fenafal). Segundo dados da Dreminas, 95% das pessoas com doença falciforme em Minas Gerais são negras. “Vivenciamos e sentimos na pele o que é esse problema, e o controle social está aqui para propor mudanças”, declarou.

Leia sobre as palestras e oficinas realizadas no evento.

Participantes assistem às palestras. (Crédito: Bruna Carvalho)
Participantes assistem às palestras. (Crédito: Bruna Carvalho)
Material distribuído durante evento. (Crédito: Bruna Carvalho)
Material distribuído durante evento. (Crédito: Bruna Carvalho)