
Em comemoração ao dia internacional da mulher, celebrado no dia 8 deste mês, o Centro de Educação e Apoio Social do Nupad (Ceaps) promoveu rodas de conversa sobre temas envolvendo o público feminino. Entre eles, empreendedorismo e direitos da mulher.
Os grupos de educação, coordenados por profissionais e estagiários do Ceaps, contaram com a participação de mães e demais responsáveis por pessoas em acompanhamento pelo Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais (PTN-MG). “Essas mães são extremamente batalhadoras”, aponta a pedagoga do Ceaps, Raíssa Azevedo. “O acompanhamento dos filhos exige muito esforço psicológico e físico, então é importante valorizarmos essa mulher, que luta para manter o trabalho, a família e a adesão ao tratamento”, destacou.
Empreendedorismo
“O empreendedor é aquele que identifica e agarra as oportunidades, usa os recursos e os transforma em algo produtivo”, explicou a analista de projetos do Ceaps, Adriana Temponi, durante atividade no dia 10. Para ela, é necessário que as pessoas pensem em realizar algo que dá prazer, mesmo dentro de casa, e que possa ampliar a renda.

Durante a conversa, Angélica Ferreira, mãe de criança com fenilcetonúria, falou das tarefas que realiza dentro e fora do lar. Funcionária em um restaurante, ela já fez um curso de flores que hoje a auxilia com ganhos extras: “É fácil, faço encomenda para família e amigos. Gosto de lidar com as pessoas”.
Lívia de Castro, também com filho em acompanhamento para a fenilcetonúria, animou-se com o que foi discutido. Atualmente ela organiza um caderno de receitas com as devidas restrições alimentares para quem tem a doença, e que são a base do tratamento. “Estou na fase de pesquisa, mas como faço para mim, também poderia fazer para os outros. Gostei da ideia!”, ressaltou.
Adriana citou exemplos de empreendedoras de sucesso no Brasil, como Zica de Assis, que desenvolveu produto para a beleza natural dos cabelos crespos, e Luiza Donato, proprietária das lojas Magazine Luiza que começou o trabalho em uma pequena loja de presentes. “É preciso ocupar o tempo com algo que te faça sentir produtiva, de acordo com os dons que têm”, pontuou.
Direitos da mulher
A roda de conversa realizada no dia 11 teve como foco a violência contra a mulher e as desigualdades que ainda caracterizam a relação entre os gêneros.
“Hoje, pela Constituição Federal, homens e mulheres têm os mesmos direitos”, observou a estagiária de Serviço Social do Ceaps, Alice Ferreira. Mas, na opinião da estudante, apesar de alguns avanços, como a conquista da licença maternidade e a ocupação de cargos antes assumidos apenas pelos homens, outras diferenças permanecem, como a desigualdade salarial.
Apesar do machismo ainda existir, na opinião da mãe Tatiana Souza, participante do grupo, a divisão de tarefas no lar é hoje uma realidade: “Hoje a mulher prefere trabalhar e ser independente do que ficar apenas em casa, cuidando de filho e marido. No meu caso meu marido ajuda muito. Nós dois trabalhamos fora, então temos que dividir”.
As presentes também compartilharam opiniões sobre a violência contra a mulher. “O tempo inteiro temos que bater o pé, não podemos aceitar nenhum tipo de abuso”, salientou Alice. Ela comentou que, muitas vezes, a mulher sofre a violência calada, por medo ou por acreditar nas promessas do companheiro de que aquilo não vai se repetir.

Ao citar a Lei do Feminicídio, sancionada recentemente pela presidente da República e que aumenta a pena para crimes cometidos contra a mulher por razão de gênero ou violência doméstica, Marcilene de Jesus comentou: “Não adianta a lei, temos que colocar na prática”. Marcilene, mãe de criança acompanhada pelo PTN-MG, disse conhecer mulheres ameaçadas pelo companheiro com medo de reagir. “Os recursos estão aí, o que não dá é para ficar calada. É preciso correr atrás de justiça, não apenas a mulher, mas quem está ao redor”, afirmou Alice. “Nestes casos, o telefone 180 é destinado à denúncia de violência moral e física contra a mulher”, informou.
Ao final da atividade, as participantes receberam panfletos sobre a Lei Maria da Penha, que coíbe a violência doméstica e familiar contra a mulher, contatos de instituições que prestam serviço de atendimento às vítimas de violência no estado e orientações para criação dos conselhos municipais de direito, onde a participação se dá em parceria com governo e sociedade civil.


